A Tv digital completa seu primeiro aniversário no Brasil na terça-feira com expansão para pouco mais de uma dezena de capitais e vendas de algo como 650 mil dispositivos, entre conversores, televisores e sistemas móveis como celulares ou aparelhos para serem acoplados ao PC.
Na avaliação de fabricantes e das empresas que compõem o Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD), a adoção é lenta, mas dentro do que se esperava para uma mudança desse porte.
A interatividade, recurso que permitiria, por exemplo, compras pelo controle remoto e é uma das características do modelo escolhido pelo governo brasileiro, também não aconteceu e é esperada para o primeiro semestre de 2009 por parte da indústria.
"Estamos finalizando as discussões sobre interatividade. O fórum trabalha para que tenhamos o máximo de capacidade de interatividade, mas as coisas às vezes não acontecem no tempo que a gente gostaria", disse Frederico Nogueira, presidente do Fórum de TV Digital.
O grupo reúne emissoras de TV, pesquisadores e fabricantes. A avaliação de Nogueira, que assumiu a presidência da entidade na semana passada, entretanto, é "extremamente positiva".
"Os Estados Unidos, que começou a implantar a TV Digital há 10 anos, ainda não conseguiram concluir o processo", comparou.
Segundo ele, "as informações que temos é que as vendas estão indo bem" no que se refere aos conversores e TVs. Um levantamento do próprio fórum aponta que foram vendidos até o momento 150 mil conversores externos ou embutidos em televisores.
O executivo admite que nem sempre é fácil para a população perceber os benefícios de uma migração para o formato digital. "É fácil perceber a diferença do branco e preto para o colorido, mas não é tão simples perceber que mudou de uma resolução de 470 linhas para 1080 linhas", explica.
Por isso, a partir de janeiro o fórum inicia uma campanha publicitária em todo o Brasil para reforçar as virtudes da TV digital brasileira à população.
Nogueira também informou que o grupo tem pleiteado ao governo linhas de financiamento e algum tipo de isenção fiscal "para termos os índices de penetração que gostaríamos", acrescentou.
São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS) já iniciaram transmissão digital em alta definição. Florianópolis (SC), Salvador (BA) e Campinas (SP) deverão ter o serviço até dezembro de 2008. A expectativa do fórum é que todas as capitais e Brasília (DF) tenham TV digital até o final de 2009.
Positivo ainda não retomou produção
Depois de interromper a produção de conversores em março passado, diante das fracas vendas e dos altos estoques, a Positivo Informática diz que ainda está comprometida com o segmento, mas não tem data para retomar a produção.
De acordo com Isar Mazer, diretor de novos negócios, produtos e inovação da companhia, "é uma tecnologia nova e, como todas, leva um tempo para que as pessoas entendam a proposição de valor e passem a adotá-la".
Segundo ele, a empresa "está vendo crescer bastante o interesse popular" na medida em que o serviço chega a novas cidades.
Na sua avaliação, a Positivo lançou muito cedo seus produtos no mercado e foi "bastante agressiva" na oferta, mas acabou ficando com estoque demais.
A empresa tem dois modelos à venda, um por R$ 399 e outro a US$ 499, com os quais continua abastecendo o varejo em cada nova praça que o formato é lançado.
Ele explicou que a companhia "está monitorando muito de perto" o mercado para saber o momento em que deve voltar a produzir.
Segundo Mazer, foram vendidos algo como 20 mil conversores da marca até o momento. A empresa, entretanto, "continua comprometida com esse mercado porque, do ponto de vista tecnológico, a proposição de valor é clara".
Ele também acha que falta comunicação e algum tipo de incentivo governamental. "Nós conhecemos muito bem o poder que os incentivos podem trazer ao mercado, depois do exemplo dos PCs", citou.
Preços reajustados
A Proview, empresa de Taiwan que chegou com a proposta de oferecer um dos conversores mais baratos do mercado, já teve de reajustar o preço dos modelos, diante da variação cambial, segundo Jorge Cruz, diretor industrial da companhia.
O primeiro deles, que foi anunciado ao preço sugerido de R$ 299 em julho, está com preço médio de R$ 350, segundo o executivo. Dois outros modelos que chegariam com preços inferiores ao consumidor brasileiro (R$ 199 e R$ 249), entretanto, ainda não chegaram ao varejo.
Cruz afirma que, em seis meses, a empresa vendeu 100 mil unidades do conversor. Por isso, ele avalia que a companhia teve "excelente resultado" no primeiro ano da implantação da TV digital, ainda que admita que "nossa expectativa era bem maior".
A Samsung, que vende televisores com conversor embutido, prefere não informar quantas unidades foram vendidas, mas afirma que o volume "está dentro do que esperava", segundo José Roberto Campos, vice-presidente da empresa de origem coreana.
Segundo ele, "o conteúdo realmente é pouco ainda, mas depois que uma pessoa assiste a um jogo ou documentário em alta definição percebe a diferença".
Ele reconhece que "as melhorias na imagem, independentemente do aparelho, precisariam ser mais bem divulgadas".
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